sexta-feira, 6 de maio de 2016

Hoje eu quero falar com você...Sobre Generalização.

Senta aí pra gente bater um papinho....


Você, sim você leitor, na figura de alguém que acessou de livre e espontânea vontade este blog conhecido como Fênix no Sekai, blog primariamente destinado a discussão, divulgação e análise de obras de determinado nicho de entretenimento japonês. Não é difícil imaginar a que nicho me refiro, é só olhar para a imagem de capa, o plano de fundo ou até mesmo o histórico de postagens, é quase uma piada eu escrever um parágrafo sobre isso, mas só para me expressar melhor, imagino não estar errado em supor que qualquer um lendo este texto, qualquer um que acessou este blog, atende a certa denominação de ordem social e ideológica, uma taxação de repúdio que em uma má interpretação acabou sendo associada a uma ideia de alguém que aprecia de maneira unilateral o anteriormente citado nicho de entretenimento. Em outras palavras...você é um otaku, certo?

Você.

Não, não é sobre a origem etimológica da palavra otaku que vim falar aqui hoje, muito menos sobre o uso errôneo do termo no ocidente ou sobre a taxação social que sofre aquele que se encaixa na ideia de otaku seja no ocidente ou no oriente. Vim debater um assunto de ordem mais abrangente, mesmo que de certa forma inclua a taxação de ideias...mas calma lá Lyonel, vá direto ao ponto homem. Bem, como alguém que atenda aos preceitos ocidentais de otaku, não deve ser estranha para você leitor uma situação de confronto onde alguém possivelmente te faz aquelas perguntas impertinentes, algo do tipo: “Mas não é desenho? Não é coisa de criança?” 

Urgh, é duro, eu sei. Você não sabe o que responder, não tem porquê saber, não faz sentido para você aquela pergunta. Não é algo que passe pela sua cabeça ou talvez passe, mas não te importe, o que quero dizer é que como um perfeito otaku, espectador de animes, leitor de mangás, uma pessoa que admira estas formas de entretenimento e faz delas sua diversão, seu passa tempo ou até mesmo seu meio de adquirir cultura, se aprofundando em obras dos mais variados tipos, as estudando e adquirindo conhecimentos sobre elas e suas conotações, não faz sentido mais depois de anos de aprofundamento neste meio pensar nele como sendo algo de cunho unicamente infantil, você já conhece extensa gama de obras que fogem à infantilidade tão comumente associada à ideia de desenho animado.



É complicado tentar dar resposta justa a uma questão desse tipo, uma pessoa que lhe pergunta tal coisa não teria o mesmo background que você, estaria atrelada a uma ideia dificilmente desmentida, uma ideia de associação quanto a formas de animação e entretenimento infantil. Por mais que atualmente o cenário seja mais animador, ainda resta muito desta ideia em mentalidades “de fora” do meio otaku, afinal são pessoas que não se importaram ou não tiveram oportunidade de se aprofundar como você em meio ao universo da animação japonesa, o pequeno background que elas tem em relação a isso são os poucos animes que ela viu sendo exibidos em blocos infantis. Se passa na Tv Globinho é pra crianças não é mesmo? Não há mistério na lógica.

O grande mal em torno deste problema está em uma forma de conduta que abrange não só esta, mas também muitas outras questões semelhantes, é uma forma de pensamento um tanto quanto inadequada, mas que no entanto é quase conduta comum adotada pela massa de seres conhecida como humanidade. Me refiro ao mal da generalização.

Generalizar é fácil, é só tirar uma ideia geral de um assunto onde se tem pouco conhecimento e fazer disso uma taxação sem repensar uma vez sequer o assunto, depois disso a falta de contato e o aprofundamento em outras áreas de maior interesse farão sua parte em enraizar no subconsciente do indivíduo aquela ideia generalizada do assunto de pouco interesse, a partir daí é difícil desmenti-la. Ao se generalizar um assunto, uma área do conhecimento, um formato de mídia ou o que quer que seja, se perde a chance de tirar proveito do conhecimento que aquilo pode lhe proporcionar, sem falar na possível diversão ou entretenimento que poderia ser aproveitado, mas claro, é impossível se aproveitar algo que está generalizado em sua mente com uma taxação simplória.

Tá, agora conte uma novidade...

Isso é básico, eu sei, todos generalizam. Isso não se aplica só à questões simples como “desenhos são coisa de criança”, mas também em questões mais complexas e delicadas, que deveriam ser repensadas e aprofundadas muitas e muitas vezes, mas não, acabam sendo simplesmente generalizadas, afinal “favelado é tudo bandido” não é mesmo? Qualquer um pode afirmar isso, talvez não com essas palavras de que fiz uso, mas certamente qualquer pessoa pode ter essa ideia profundamente atrelada em sua mentalidade, pois dificilmente alguém vai repensar o assunto ou se aprofundar nas causas sociais que fizeram ela ter essa ideia, pois não lhe interessa, então ela generaliza.

A generalização se espalha, pessoas com pouco conhecimento em uma área repassam suas ideias generalizadas para outras, que talvez até já tivessem generalizações semelhantes(como dito, se passa na TV Globinho é pra crianças não é? Outras pessoas também vão pensar assim), essa ideia se propaga e acaba por vezes se tornando oque é conhecido como Senso Comum, é aí que a generalização ganha contornos catastróficos. Se já é difícil desgeneralizar a ideia de uma única pessoa sobre um assunto, imagine tentar isso com uma ideia que já é senso comum...sim, beira ao impossível.



Generalizar é uma conduta perigosa, já citei um exemplo de caso onde a generalização se torna preconceito social, além dos conhecimentos e entretenimentos possivelmente perdidos em outros casos, ainda assim tenho certeza que qualquer leitor desse texto já generalizou e continua generalizando inúmeras coisas, eu mesmo não estou isento de culpa nesse quesito, não há como fugir desse mal. Entretanto, pode-se empenhar esforço em reprimir isso, o mínimo e máximo que podemos fazer é agir de forma à não colaborar com essa forma de conduta, não é fácil deixar de agir dessa forma que acaba se tornando o normal, o natural, mas sempre pode-se buscar evitar. Tente não se deixar levar por ideias simples quanto à assuntos, sejam eles quais forem, aprofunde-se se tiver interesse, mas não julgue se não tiver, procure sempre opiniões diferentes e não se deixe levar pela maioria, leia, veja, estude.

Não cabe a min ou a você acabar com essa forma de conduta, mas cabe sim a nós tentar sempre evitar esse procedimento, não generalize, é o primeiro passo, mas o mais importante.

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